segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Entrevista com presidente da AARC do ABC

A TEAM SPEEDWORK entrevistou o presidente da AARC do ABC e compartilhou esta entrevista com a gente.

Vamos ver o ponto de vista de Criscareca sobre alguns assuntos do R/C.

Nosso muito obrigado a Kenedi Quequi da TEAM SPEEDWORK por compartilhar tal entrevista com todos nós.

Como foi o inicio do Cris nas pistas de Rc?
R. O início foi um Xsara das bancas. Tão logo terminei a coleção, procurei pistas aonde andar e descobri a AARC do ABC. Aí logo descobri que o Xsara era fraco e sem categorias de competição, logo comprei um RTR. Durou 2 meses, já estava então com um PRÓ-12 treinando. Isto tudo se deu a partir de março de 2006. Já no final de 2006 eu participei de algumas competições e assim começou.

O que o motivou a ser Pres. da AARC ?
R. A Necessidade que a pista e a Associação em si tem de possuir pessoas com “vontade” de se doar, se dedicar para fazer as coisas funcionarem e crescerem. Eu fui uma destas pessoas e vizualizei na época alguma chance de melhorar a AARC. E consegui. Junto com outros membros da diretoria, fizemos da AARC hoje a maior pista do Brasil em número de associados e pilotos por corrida.

Qual é a pior parte a ser administrada pelo pres de uma Associação?
R. As pessoas e seu egoísmo. Como presidente ou membro da diretoria, tenho sempre que pensar em Todos num todo. Mas a grande maioria das pessoas sempre pensam em si mesmas e no que é melhor para elas. Fazer coisas ou promover mudanças muitas vezes se torna uma luta exatamente por este problema.

Como você vê o Hobby de Competição no Brasil?
R. Vejo focos isolados de crescimento em alguns pontos, focos de subsistência em outros. No geral acho que o Brasil está muito fraco em competições. Acabamos de participar da 4ª etapa 2008 em Indaiatuba, com aproximadamente 30 carros de grid 1/10, apenas 12 na Protótipo. Muito pouco para um país de 200 milhões de habitantes.

O que seria ideal para o crescimento do hobby no pais?
R. Poderia destacar várias coisas. Dentre elas falarei sobre 3:

1- UNIÃO. Somos todos parte de um hobby eletizado, de difícil acesso e com poucas pessoas em todo país. E mesmo estes poucos são quase todos desunidos. Existem richas pessoais de todos os tipos em todas as pistas, lojas, etc. Este é um dos maiores problemas do “breque” no crescimento do hobby no país. Se todos fôssemos mais unidos, com certeza todos teríamos a ganhar e o hobby crescer.

2- CATEGORIAS DE BASE. Na AARC nós enxergamos isso, pusemos em pratica e hoje colhemos os frutos. Criamos a categoria RTR nas corridas GP e hoje ela é um sucesso. De um ano para outro muitos pilotos da RTR migram para a SPORT. Criamos também a LATINHA no EP que também foi um sucesso. Ter categorias de base no R/C é muito importante pois muita gente não faz idéia do que é o universo de competições e, começando com uma categoria “barata” e fácil de lidar, a chance das pessoas gostarem e prosseguirem é bem maior.

3- DIVULGAÇÃO. Comigo e com a maioria das pessoas que converso dentro do hobby foi a mesma coisa. Até conhecer o R/C, eu nunca havia ouvido falar. Muita gente passa pelas pistas e nem faz idéia que ali existem carrinhos de R/C. Infelizmente existe uma “vontade” política por parte dos lojistas de que a coisa seja assim, escondida. Mas eu acredito piamente que se conseguíssemos que algum veículo de propaganda em massa divulgasse constantemente nosso hobby, com certeza teríamos mais pilotos, associados e hobistas.

Qual a receita usada para ser Campeão Paulista modified em 2008?
R. O Elétrico é bem manhoso. Pelas corridas terem curta duração ( 4 finais de 5 minutos cada), você não pode cometer erros. Logo tem que ter um bom equipamento (baterias, chassi) que não te deixem na mão e uma pilotagem constante. Em nenhuma das 4 etapas (venci 3) fui o mais rápido, porém sempre fui um dos mais constantes. Geralmente o piloto mais rápido do dia não agüentava até o final em todos os heats.

Na sua opinião qual o melhor piloto de Rc que temos na atualidade ? (vale para qualquer categoria de Automodelismo Rc)
R. Puxa, realmente difícil. Uma ocasião eu li uma entrevista de algum gringo em algum lugar que dizia algo assim: “ O melhor piloto é aquele que é rápido, ajuda os demais na pista e cultiva amizades dentro e fora delas...”
Usando este critério, sem dúvida alguma que na minha opinião o Melhor piloto de R/C do Brasil hoje é Marcos Mayer. Sem contar que dentre vinte e poucas corridas que ele disputou este ano, já subiu 17 vezes ao podium e ainda restam 2 corridas.

Como seria a pista ideal?
R. A pista ideal pra mim seria assim: Teria um asfalto perfeito, sem bumpers e com zebras bem feitas e acabadas. (vide pista do mundial de EP na Thailandia); um palanque/box que abrigasse 12 pilotos confortavelmente; uma lanchonete funcionando junto com a pista com várias opções de alimentação; banheiros decentes; área coberta com bancadas e energia para abrigar no mínimo 50 pilotos;

O que você faria para viabilizar corridas mais equilibradas com a atual crise?
R. No Elétrico já fazemos coisas do tipo. Com pneus iguais e agora motores (Stock 2009), o poder econômico individual de cada um não consegue fazer um piloto se sobressair muito. No GP creio que isto seja mais difícil. Mas também ainda não acho totalmente necessário. No 1/10 os custos não são totalmente proibitivos. Eu consegui fazer uma temporada inteira com 2 motores apenas. Já no 1/8. aí sim algo deveria ser feito. Os equipamentos de 1/8 são bem mais caros que 1/10, e temos pilotos que levam estrutura de mundial para correr um paulista. Aí a competição se torna desleal. Creio que, se limitássemos o uso de um motor por algumas etapas (algo como é feito na F-1) ou a quantidade de pneus, já abafaria um pouco o poder econômico em detrimento da competição.

Deixe uma mensagem aos leitores de todo pais.
Amigos, pilotos, hobistas, dirigentes, lojistas e todos aficcionados pelo R/C no Brasil:

Vamos fazer o hobby crescer. Se crescer sempre teremos campeonatos, pistas, associações e diversão por muito tempo. Sem crescimento naturalmente um dia a coisa diminui ou até acaba.

Vamos nos unir e não “guerrear”. Deixemos Todos antigas picuinhas de lado, e vamos lutar pelo crescimento do R/C. Unidos podemos realizar corridas mais interessantes, com melhores estruturas e maior número de pilotos.

Neste ano de 2008 na AARC conseguimos realizar 7 Campeonatos de diferentes categorias 1/10 de R/C, com a passagem de 170 pilotos. Não é fácil, porém é deveras prazeiroso! Adoraria ver mais pistas no Brasil com números iguais ou maiores e quissá um dia participar de um Brasileiro com 100 ou mais pilotos!

Abraços a Todos

Criscareca
(Cristiano Carpinelli)

Entrevista: TEAM SPEED WORK

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